Arrependimento não leva pro céu feminista

Fiquei meia hora pensando se deveria mesmo escrever sobre isso ou não. Não só por ser um assunto complicado mas também por me ofender diretamente. Explico: essa semana li um post em um blog que costumava ler que me feriu. No texto, um homem real que estuprou no passado pede desculpas pelo feito, confessa o que fez e quer se redimir. EM UM BLOG FEMINISTA. Não estou escrevendo pra julgar o arrependimento de ninguém, cada um sabe de si, mas meu incômodo vem da autora que relativizou o crime fazendo parecer que era um erro simples. Além disso, entendeu que o estuprador era vitima da situação (ele havia sido estuprado pelo pai).

Entendo que ele foi vítima um dia. Entendo que ele sofreu. Não entendo uma feminista usar isso como justificativa. Não entendo uma pessoa que tem em seu público leitor tantas vítimas de violência sexual (e nisso me incluo) argumentar o perdão como sendo direitos humanos. Perdão é religioso e a religião não deve entrar em questão quando temos alguém confessando um crime. Vítimas de violência sexual (mesmo que tenham fugido no meio da agressão, como foi meu caso) são culpadas pela sociedade o tempo todo, usadas como desculpa pra que a violência aconteça e não precisamos de uma companheira de luta nos dizendo que devemos perdoar nossos agressores. Não precisamos de alguém postando o relato de arrependimento de um estuprador e nos dizendo o quanto devemos considerar que pessoas cometem erros. Fico enojada em pensar que meu agressor poderia enviar um e-mail com um pedido de desculpas para alguém e que isso seria divulgado. E pior, que isso seria relativizado. Eu gostaria que meu agressor tivesse sido preso e punido e não usando um blog feminista como confessionário e tendo algum apoio, mesmo que superficial.

Sou a favor dos direitos humanos até pra estupradores, mas perdão não tem a ver com direitos humanos e nem com reabilitação. Pode parecer egoísmo pra quem nunca sofreu agressão sexual, mas eu não perdoo meu agressor. Eu não o perdoo pela culpa que me fez sentir, por achar que eu estava servida em uma bandeja, por me humilhar na frente das pessoas, por ter ficado com o emprego enquanto eu fui demitida. Gostaria que ele tivesse sido punido pelo que fez e ainda assim, defendo os direitos humanos que ele tem. E me dói imensamente ver uma figura com quem aprendi muito sobre a causa usar os direitos humanos como incentivo ao perdão para um estuprador, ao invés de não publicar o e-mail e responder com conselhos sérios sobre ir até uma delegacia e se entregar.

Depois de pensar essa meia hora, percebi que sim, tenho todo o direito de me ofender com uma companheira de luta dando voz ao estuprador de alguém. Tenho o direito de me ofender pois poderia ter sido o meu agressor ali, me pedindo desculpas ao invés de se render judicialmente. E isso não afeta minha sororidade. Sororidade não isenta críticas e não protege de ofensas. Além de mim, conhecidas, amigas e outras vítimas com quem conversei: todas nos ofendemos e nos lembramos de momentos terríveis. Uma voz dada ao estuprador em um blog feminista (de uma autora bastante lida e com visibilidade até pra quem não é feminista)  já me causou estranhamento, que foi transformado em decepção quando vi o ponto final daquele texto.

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44 comentários sobre “Arrependimento não leva pro céu feminista

  1. Oi.

    Concordo com as suas opiniões. Não entendi pq a Lola publicou aquele post, pq ela deu voz a um estuprador. Estupradores já têm muita voz, toda a voz do mundo. O blog era um espaço nosso… Acho que não é mais.

  2. Confesso que quando aprendi esse link do blog da Lola e vi o título, não tive a menor coragem e pelo o que li aqui, acho que fiz bem em não ler nada pra não ficar mal, pra não ficar remoendo tudo aqui e me perguntando: ”pq raios um estuprador ganharia tanto espaço num blog feminista?” Nossa, tentei não ficar mal, mas já fiquei e não teria como não ficar assim diante dessa situação.

  3. Enquanto lia seu texto, sentia lágrimas banhando meu rosto. Eu sinceramente gostaria muito de ver uma retratação por parte da referida blogueira, pois a publicação daquele texto causou muito mal-estar e decepção entre as feministas, ainda mais por se tratar de uma grande figura na blogosfera. Ela deveria ter refletido com mais cautela sobre toda a cultura do estupro e da culpabilização da vítima em que vivemos aqui no Brasil antes de abrir mais espaço ainda para pessoas como esse sujeito. Como eu não acredito que essa retratação virá, só nos resta fortalecermos nossa luta e nossa sororidade – que não tem nada a ver com passar a mão na cabeça da companheira que eventualmente comete falhas. Sinta-se muito abraçada por mim.

    • Débora, a resposta da Lola não foi uma retratação, mas foi um esclarecimento e achei bem válido. Também sou vítima, não tinha como fugir e também não tive chance de ver a pessoa punida. Mas de qualquer forma, não vi o post da Lola como algo tão aterrorizante como muitos viram, e Myka, seu texto está um tanto forçado. Ninguém está pedindo perdão para o estuprador, o que se fala é em punição e reabilitação. E mesmo que o arrependimento dele não cure feridas, e eu sei que não cura, pq eu também não perdoaria, não é necessário fazer todo esse mexe com o ser humano. Ele ainda é um ser humano, errou feio, mas não deixa de ser gente.

  4. Não sabia que já havia passado por isso, Myka!Gosto muito mais de ti!Não por isso, ou por ter essa história, mas por ter sobrevivido!Tá sentindo o abraço?Não?Pois se abraçada, viu? ❤

  5. Eu fiquei chocada com aquele post, não sei o que deu na Lola para postar algo assim. Aquilo me dava agonia a cada linha lida, sabe? Era tanta porcaria junta, cara. Eu não quero saber do sofrimento duzômi, aquele cara é um ESTUPRADOR, deveria estar na cadeia e não escrevendo pedido de desculpas em um blog feminista tão conhecido.

  6. Em meu ponto de vista Perdão não é religião, é a capacidade de entender que alguém cometeu um erro, seja ele um pequeno erro, ou um imenso erro, a meu ver, perdão, é a capacidade de nos reconhecermos ainda aprendizes, de dizer ok, não te julgo, não te culpo e nada me deves, ( mesmo que não se possa esquecer ou querer contato) vc, consegue simplesmente dizer:
    – Adeus, nossas correntes estão quebradas. E aliviada de tudo segue a sua vida, sem lembrar do que ficou para trás…

  7. Estuprar não é ERRO, vai além muito além disso. O perdão existe, claro que sim, mas se alguém consegue verdadeiramente perdoar seu estuprador, deve estar em plena Graça e seu espírito esta tão elevado que não pertence mais a este mundo. Leio de vez em quando a blogueira citada, tenho algumas restrições, mas agora realmente apenas não entendi.

    • O erro é justamente não poder perdoar quem comete um crime hediondo, mas exigir direitos humanos para esse essa mesma pessoa que cometeu um crime hediondo… melhor seria justaemnte não defender direitos humanos de quem não é humano, mas ainda assim ser capaz de perdoar. Podemos até nos revoltar com tantas coisas ruins, mas ainda é um erro pensar: “tomara que morra na cadeia e queime no inferno”.. É muito melhor pensar: “tomara que se arrependa, mude sinceramente de vida e se torne uma pessoa boa”

      • Mas não neguei que é direito da vítima querer justiça.. É realmente direito da vítima se revoltar, querer justiça, punição e, até mesmo, vingança… Só falei que o perdão é sempre melhor, pois só com o perdão a própria vítima realmente se liberta. Perdoar não significa passar a mão na cabeça do criminoso.. Você pode muito bem perdoar alguém e continuar achando correto que essa pessoa seja punida.

  8. Bom, eu leio a Lola. Ela é polêmica. Polêmicas são interessantes. Acho que ela é inocente da acusação. E acho isso porque NÃO é uma questão de quem não é por nós é contra nós. Dicotomia messianica de amigo e inimigo. Lola é uma escritora, não é a messias (e nem quer ser, ela é maravilhosamente humana). Podemos discordar dela, mas o blog é dela, não um espaço nosso (sendo nosso qualquer pessoa que não a própria Lola). Alias, esse é um dos mais fundamentais argumentos feministas: A liberdade de expressão da mulher! Principalmente quando a mulher quer expressar uma opinião polêmica. Quanto à quem ela veiculou a “voz” (opinião escrita na internet), bom, ele deve ser devidamente denunciado, processado e penalizado. Depois disso, qual o debito social que restará? Nossa constituição proíbe penas de morte, perpétuas e crueis. Por isso ele deve pagar, mas não pode pagar para sempre. E depois que pagou? Faremos o que? Tomaremos a justiça em nossas próprias mãos? Faremos Bulling com ele ad aeternum i infinitum? Stalkearemos o sujeito pra ele sentir como é? Ah, e que tal o olho por olho e dente por dente? Vai aplacar essa fúria e ira? Pessoalmente, estuprador e corrupto pra mim merece pena de morte, e pela forca pra não gastar nada com a execução (a corda é ambientalmente correta e reutilizável), mas a CF proíbe….

    • Não sou a favor da pena de morte. Não acho nossas leis as melhores, mas é o que temos por enquanto.

      Quanto ao blog ser dela: ela tem a liberdade de expressão de escrever coisas polêmicas? sim. ela tem o direito de errar? sim. Mas isso não faz com que ela seja inatingível sobre críticas. Eu em nenhum momento disse que a Lola está contra ou a favor de algo, só disse que me ofendi com o posicionamento dela sobre a questão. Ela não é messias, mas tem uma BAITA visibilidade e quando alguém com visibilidade faz algo ofensivo pra alguém da própria militância, é saudável sim que se critique. A liberdade de expressão dela está garantida, apesar das críticas.

      E honestamente? ”acho que ela é inocente da acusação” sério? Eu não acusei a Lola de nada, só escrevi sobre um ato dela que me prejudicou diretamente no sentido emocional. Ela deu voz a quem não deveria ter dado. Não é difícil de entender.

      • Na verdade para mim é muito difícil de entender porque alguem que assina naomykahlo quer calar os outros… A crítica, nas suas palavras, é: Deu voz a quem não devia ter dado. A sua opinião, veiculada aqui, é que o ato dela lhe prejudicou diretamente no sentido emocional, sendo que vc nunca foi pessoalmente envolvida nem mesmo forçada a ler nada. De tal forma, ainda acho que a Lola é inocente, adulta e dona do proprio nariz, ou blog. Assim como vc é do seu Myka. Buona fortuna.

      • vc ache o que quiser, eu era leitora dela e tenho o direito de me ofender. Aliás, vc em seu lugar de privilegiado deveria ficar bem quietinho pq na boa, cara, cê NUNCA vai entender o que eu passei por ler aquilo.

  9. Concordo com seu argumento sobre arrependimento não ser suficiente. A punição é importante, mas seu erro está em crer que a única punição satisfatória seria cadeia ou algo similar. Seu texto deixa claro que para você é impossível que o agressor sofra pelo que fez e que isso também o tenha marcado por toda a vida (assim como a vítima), refletindo-se em diferentes desequilíbrios psicológicos. Tenho que dizer que você está errada, pois isso acontece. Se isso é suficiente ou não como “punição” é uma questão tão complexa e delicada quanto a cadeia ser suficiente ou mesmo adequada como forma de punição. Por fim, quando você diz que “perdão é religião” comete outro enorme equívoco. Se realmente não há meio de conceber a noção de perdão fora do discurso religioso, então a humanidade está mesmo condenada. Tenho que dizer que, outra vez, você se equivoca. Veja que nem estou aqui querendo encerrar o assunto com alguma conclusão iluminada. Isso é para tolos. Não exijo também que você ou qualquer outra vítima perdoe obrigatoriamente seu agressor: carregar o ressentimento é uma escolha legítima, assim como não carregar e perdoar, seja por qual motivo for (religioso ou não). Lembrando outra coisa: perdoar não significa livrar de qualquer punição; significa apenas que a vítima se liberta do fardo do ressentimento. No fim, quem perdoa é que se beneficia. Pois o agressor, seja por si próprio ou por algum sistema penal, pode ser indefinidamente punido. E, em outros casos, pode passar impune (e, nesse ponto, a religião faz diferença, pois para algumas a punição virá inexoravelmente, cedo ou tarde). Não querendo ser tolo (me achando dono de alguma verdade) e nem me arrogando o direito de dizer o que outra pessoa deve fazer, o que estou fazendo aqui, por respeito ao seu esforço em trazer uma importante discussão à tona, é apenas alertá-la para aspectos de seu argumento que estão amplamente desconsiderados quando não podem ser. Em resumo: o conceito de perdão transcende a religião e a punição não ocorre apenas na cadeia ou algo similar.

    • moço, eu não acho que prisão resolva todos os problemas de um criminoso. Sou contra o sistema carcerário que temos, e SEI que distúrbios mentais (alguns criminosos são doentes mentais, não todos) devem ser tratados de outra forma, mas isso não quer dizer que eu tenha que concordar com um estuprador solto. Desculpa mas você não tem NENHUM direito de me dizer que pessoas ESCOLHEM seguir com ressentimento. Eu fui vítima de violência sexual e te garanto que não escolhi sofrer com isso. Acredito sim que um agressor possa se arrepender, mas isso não muda o fato de que ele COMETEU UM CRIME. Se vc acha que no meu texto eu deixo claro que alguém não possa se arrepender por algo, você precisa tomar aulas de interpretação de texto.

      Hoje o perdão pode ter uma visão variada, mas suas origens são religiosas (perdão a todo custo). Perdoar é lembrar sem dor e NÃO SOU OBRIGADA A RELEVAR UM ABUSO SEXUAL.

      Meu texto se resume assim: não se dá voz a estuprador em um espaço feminista. Vítimas, como eu, se ofenderam com isso. Estupradores cometeram crimes e não devem ser isentos disso. A discussão sobre reabilitação não está em pauta no texto. O foco é SOBRE VÍTIMAS E FEMINISMO.

      • Ah, sim, mais uma observação: lamentável a forma como você trata pessoas que – embora discordem de você em maior ou menor grau – vem ao teu blog, que tiram parte de seu tempo para ler o que você escreve e para contribuir com a discussão. Vê-se o alto grau de rancor que te motiva a escrever aqui e que te coloca na defensiva para qualquer crítica ao que você escreve, mesmo se for uma respeitosa e construtiva como foi a minha. Uma pena, pois isto torna este espaço apenas um muro de lamentações, o que não acrescenta a ninguém e não vale o tempo que demanda. Mas, é um direito seu. Boa sorte com teu blog.

      • Também já sofri violência sexual e sei o que carrego até hoje como consequência disso. A vergonha, o sentimento de culpa (pois é, a vítima é quem mais se culpa e é culpada pelas outras pessoas), a lembrança do deboche por parte de quem ouviu a história, as muitas confusões pelas quais minha cabeça passou ao ter, posteriormente, relações sexuais normais com homens normais. Felizmente isso tudo começa a melhorar, mas é um processo que tem mais de 20 anos já.

        Até hoje conservo a ideia de que, se o estuprador fosse preso, seria feita justiça, mas sei que ele nunca se consideraria culpado pelo que fez. Ele nunca admitiu que cometeu um crime. Eu o conhecia, já havia feito sexo com ele, confiava nele. No dia do estupro, não quis, e ele simplesmente me atacou e me violentou, por via anal. Em todos esses anos, tive os mais diversos sonhos de vingança, justiça, retribuição. Quis que ele fosse assassinado, que fosse estuprado por outros homens, que fosse castrado, humilhado, que perdesse tudo o que tem, família, emprego. Nada disso aconteceu, simplesmente porque não dei queixa. Pesei na balança a vergonha e a punição dele com a minha vergonha e o meu sofrimento, e vi que ele sairia da história como a verdadeira vítima. A garota liberal que ficava com outros homens seria a grande culpada daquele “momento de insensatez”. Foi mais do que isso: ele provou que eu não tinha voz, que eu não era dona do meu corpo, que se eu já tinha transado com ele uma vez, por que iria me negar naquela hora? Minha vontade não valia nada, eu não era um ser humano com direitos, eu era bonita demais e sensual demais, usava roupas que revelavam minha beleza, eu estava “pedindo”.

        Mas se hoje visse da parte dele um pedido de desculpas ou uma confissão de arrependimento, uma exposição de “razões” ou algo do tipo, eu me sentiria melhor. Seria libertador de alguma forma. Pra mim, o criminoso, que me anulou como gente naquele momento, mostrar que reconheceu sua culpa, seria ao menos uma confirmação de que sim, ele foi o único causador de tudo, ele cometeu a violência, ele fez algo comigo que nunca gostaria que alguém lhe fizesse ou fizesse a alguém que fosse importante para ele.

        Não é a forma ideal de “fechamento” de um caso assim, mas não é o pior. Pior é saber que o homem que me estuprou pode ter feito isso com outras mulheres, continua vivendo sem arrependimentos, sem punição, é respeitado por todos, tem um emprego normal, uma vida normal. E eu estou há 20 anos tentando esquecer, ou ao menos digerir, tudo o que aconteceu.

        Acreditem, perdoar, seja com que motivação for, a alguém que sinceramente pede esse perdão, é melhor que deixar pra trás um acontecimento que nunca foi lamentado por quem o causou.

  10. Concordo com você em gênero, número e grau. Os agressores já tem voz, eles inclusive tem toda uma cultura ao redor deles que os protege e os faz pensar que tem ‘direitos’ sobre os nossos corpos. Não é ‘punitivismo feminista’ querer esses caras atrás das grades, muito menos é reacionário querer castração química para quem não se controla. Quem é agredido jamais se esquecerá. Digo isso por experiência própria. Quem é agredido não quer ver outras pessoas serem agredidas, especialmente pelo mesmo agressor. O texto daquela blogueira foi muito infeliz e, apesar de admirá-la, estou decepcionada.

  11. Pablo,
    Qual a dificuldade em entender o posicionamento de uma vítima de abuso sexual? Ah sim, provavelmente sua polidez e “discussão construtiva” passam longe da empatia com a vítima pq você faz parte do lado opressor do patriarcado e tenta de todas as formas justificar o injustificável! Já vai tarde!

  12. Não leio mais a Lola tem um tempo. Desde um guest post também em que uma entusiasta do parto normal dizia, com todas as letras, que se você não querer parir que aborte. Olha, não curto essa de ‘tirar carterinha de feminista’ mas esse nível que cagar regra no corpo alheio, pelo pouco que eu sei sobre, não é feminismo. E essa do estuprador foi a gota d’água. Não li, só fiquei sabendo pelo twitter, me falta estômago para tal.

    Te sigo no twitter e concordo muito com as suas opiniões mas não tinha visitado seu blog ainda e tá de parabéns (:
    Obrigado por se posicionar sobre

  13. Ele cometeu um CRIME e deve ser julgado por isso. Não existe justiça particular ou perdão (e é por isso que existe o Direito Penal de hoje), foi estranho o fato de que um estuprador tenha tido voz num espaço feminista e mais ainda a forma como foi abordada a questão. Entendi o ponto de vista de Myka ao dizer que perdão é algo religioso, pois realmente em religiões, principalmente a cristã, tal comportamento é constantemente lembrado. Perdão é algo PESSOAL, redenção TAMBÉM, aquele texto foi completamente infeliz e toda a sua relativização, colocar o criminoso como vítima, arrependido e “mudado” é uma ofensa a quem já sofreu com isso.

    • pq arrependimento não é motivo pra dar voz ao agressor em um espaço feminista. Se se arrependeu que se entregue à justiça. Perdão não tem a ver com direitos humanos. Perdão é sentimento e leis não se fazem com amorzinho.

  14. Sinto pelo que passou. Mas discordo de tua interpretação sobre o texto de Lola. Ela falava sobre o caráter punitivista de algumas feministas que utilizam o argumento justo da defesa da condição feminina e da ampliação dos direitos civis como justificativa para realizar os mais absurdos desejos de punição desumana. Falava sobre a desconsideração por parte de muitas feministas da possibilidade de recuperação dos sujeitos – que é algo defendido amplamente por todos os movimentos de defesa dos direitos humanos. Há sim, e não raro ouvi, diversas vozes em movimentos ditos de minoria que se perdem em suas defesas e esquecem de aliançar suas lutas com as questões mais amplas sobre a exploração do trabalho ou o modelo de organização da sociedade fundamentado em classes. Acabam por se tornar caricaturas que batem palmas sem nenhum pudor para Barack Obama, por ser negro, ou Margareth Tatcher, por ser mulher, sem perceber (ou percebendo mesmo) que pintar o opressor de preto ou colocar-lhe seios não fará absolutamente nenhuma diferença no status quo. Por mais que ache que o rapaz deva ser punido como determinada a lei, gostei do post de Lola porque ela levantou a bola que os movimentos de minoria teimam em fingir que não existe: a luta pelo direito das mulheres é uma luta pelos direitos humanos também. Não se trata de vingança e não pode ser vingança. O estuprador – por mais ojeriza que ele provoque – deve ser punido sem as aberrações contrárias aos direitos humanos. Ou então, caímos todos no estapafúrdio contrassenso de sair por aí gritando: “bandido bom, é bandido morto.” Lola pode não ter sido perfeita em suas colocações, mas ela foi corajosa. O debate que levantou é fundamental e importante.

  15. Olá Naomy: não quero parecer que estou aqui para te trollar/ofender ou coisa parecida, mas queria trazer uma reflexão.

    Nem sempre concordo com o que a Lola fala/escreve, mas é importante ter em consciência que aquele é o espaço dela, em que ela coloca suas opiniões sobre determinados assuntos e que ela o faz porque ela assim o deseja. Ela é uma figura “pública”? Até é, mas eu tenho várias ressalvas sobre o quão certo (ou até mesmo sábio) é nos deixarmos pensar que o que eles dizem devem ditar de alguma forma o modo como seguimos nossas vidas.

    A linha de pensamento dela vai muito ao encontro da humanização das pessoas e eu concordo muito com ela nesse ponto: o mundo não é feito de clichês homogênicos, é feito de pessoas, que tem qualidades, defeitos e uma história e que vale a pena ouvir seu lado.

    Pensando assim, não me pareceu estranho ela ter feito um guest post com o depoimento de um homem que cometeu algo hediondo e que agora se arrepende e deseja saber o que fazer. Ela sempre diz que a cultura de machismo e estupro também afetam os homens e esse é um exemplo disso,

    Assim como ouvimos desde que nascemos derivativos de que “lugar de mulher é na cozinha, mulher tem que se dar valor, mulher não é nada sem homem etc”. eles também ouvem coisas como “é só insistir que ela vai, tem que pegar todas, a sua vontade é o que importa”. Negar isso, na minha opinião, é negar parte do problema.

    E, de verdade, isso pra mim é tão natural e claro pra mim que essa é o modo como a Lola vê as coisas que não entendi tantas mensagens condenando-a pela postagem. O guest post não está diminuindo o impacto que o estupro causa, não está menosprezando a dor de quem passou por aquilo e de forma alguma estava tentando justificar ou minorizar a dor e o trauma de quem passou por isso. Estava mostrando apenas o outro lado da história: não de alguém que se regojiza pelo o que fez, mas de uma pessoa que tomou consciência de que agiu com muita sordidez contra quem nem saberia como se defender e que não se perdoa pelo o que fez e não sabe como e se é possível ao menos remediar o dano causado.

    Indo na linha humanista que a Lola prega em seus posts, achei o guest post revelador por nos mostrar que “o outro lado” não é composto por vermes sem o menor respeito pelo próximo e sim por pessoas que muitas vezes são condicionadas a fazer algo errado sem o perceberem. E ao saber disso, ao entender que muito poderia ser evitado apenas pelo diálogo, exemplos e esclarecimento, podemos educar os mais novos a não cometerem esse erro.

    Se não humanizarmos as pessoas, por piores que elas sejam, penso que jamais poderemos sanar esse mal tão profundo que é o abuso à mulheres, meninas e aos mais fracos em geral, pois estaremos combatendo um inimigo que apenas criamos em nossa cabeça, mas que não existe de verdade e não se comporta da forma que pensamos se comportar (exatamente porque o estupro acontece mais entre aqueles que vivem entre nós do que em uma rua escura, por um estranho).

    E eu, que também tenho as minhas histórias de abuso e terror, ao entender o post dessa maneira, tive um pouco de esperança de que talvez não morra antes de ver mais igualdade no mundo.

  16. Não acho que ela tenha relativizado o crime, nem pedido que as vítimas perdoassem o agressor, isso de fato não está no texto. E não vejo como “dar voz ao estuprador”. Ela publicou um relato pertinente no momento atual em que há, sim, um distanciamento do feminismo da luta por direitos humanos (você pode ser contra pena de morte, castração química, etc, mas muitas não são), um momento em que muitas ações ditas feministas estão indo no sentido contrário do respeito aos direitos humanos, da tolerância, enfim, muitos grupos feministas estão se apropriando de métodos dos nossos inimigos, o que torna ineficaz a nossa luta. Pois bem. É preciso discutir isso, e para discutir isso é preciso bater em algumas teclas que são muito polêmicas, como a ideia de reabilitação. O patriarcado, o capitalismo, o fascismo não creem em reabilitação. Sendo contra esses sistemas, é pertinente que nós acreditemos. Parte da reabilitação tem a ver com o agressor se arrepender. O que significa o arrependimento? Um avanço de consciência, uma mudança, uma revisão nos seus valores culturais. Isso não muda em nada o passado, e pelo passado ele deve ser punido nos limites da lei, mas muda o futuro. Vejo no post não a glamourização da voz do agressor, mas uma vitória da luta feminista, pois esse arrependimento dele é fruto de um trabalho de conscientização nosso. Muitos estupradores não entendem o que fizeram como estupro, o que não tira o prazer que eles sentiram em se ver numa posição de dominação, e isso não tira em nada a gravidade da ação deles. Mas tendo a acreditar que muitos desses agressores se soubessem que a ação configurava estupro, não teriam agido, ou não agiriam novamente como agiram antes. Assim, um arrependimento não basta para uma absolvição, mas é sim uma vitória nossa. Me dedico agora a pensar o caso específico que foi relatado pelo agressor. Antes de tudo, ele foi uma vítima do pai. (não ressalto esse ponto para minimizar a agressão, mas para entender) Uma vítima de abuso no mínimo fica confusa, certo? Se vítima quando criança, ela se desenvolve com uma noção torta de certo e errado. Como ele coloca, a agressão que ele sofreu foi nos mesmos moldes da agressão que ele causou. Ele agrediu uma menina e um menino, e pelo que eu entendi eram todos crianças, da mesma maneira que ele próprio foi agredido. O que pensar disso, então? Ele repetiu uma ação que ele sofreu. Sentiu prazer com isso? Claro! E as vítimas dele sofreram, o que o coloca como um agressor que deve ser punido. Mas é preciso compreender em que medida se deu esse arrependimento. Ele olhou para o passado e percebeu que reproduziu uma agressão que sofreu, daí o arrependimento. Não quero defendê-lo, apenas pensar que a violência é cíclica! Daí a grande importância do nosso trabalho de conscientização, do incentivo à reabilitação e do rechaço ao punitivismo exagerado (perceba que em nenhum momento estou falando de perdão!): é preciso quebrar o ciclo da violência. Quando a Lola coloca esse relato, ela traz à tona essa discussão, que é primordial hoje, num momento em que precisamos rever e pensar nossos métodos, que devem nos diferenciar dos nossos inimigos. É importante não confundirmos nossa revolta e dor pessoais com nossas ações sociais. O post dela questiona ações sociais, não pessoais. O perdão seria pessoal; não diz respeito a essa discussão. Nenhum agressor agride sozinho, e precisamos ter isso em mente. Por isso é preciso pensar o combate à violência como uma ação social, de grandes proporções, no marco dos direitos humanos sim! É um assunto difícil porque mexe com emoções pessoais, mas só desligando essa chave é possível pensar em termos sociais. É preciso pensar na discussão que esse relato traz, que não tem nada a ver com perdão. Ele errou demais, precisa ser punido. Mas o mais importante é pensar: o que gerou o arrependimento? Entender isso eleva a capacidade da nossa luta de conscientização, e é a consciência e não a punição que vai de fato combater a violência contra as mulheres.

  17. Na verdade, não foi a primeira vez que a Lola deu voz a alguém que cometeu estupro. A outra foi há bem pouco tempo, mas a estupradora em questão era uma mulher que, no guest post, também comentava o que havia feito e dizia se sentir péssima por isso. Pelo que me lembro, a repercussão desse post entre mulheres que sofreram abuso não foi tão negativa. E também não me lembro de, naquele caso, a Lola ter sugerido que a moça se entregasse à polícia. Acho que também é importante refletir sobre isso.

    Pessoalmente, eu sofri abuso sexual uma vez enquanto dormia e outra enquanto estava quase inconsciente de tão bêbada. Na época, achei que era um pouco culpa minha, porque na minha cabeça (como na de muita gente) estupro era só aquilo que acontecia quando um cara rasgava suas roupas à força, te batia, te ameaçava de morte, coisas assim. Esse cara era meu ‘amigo’, pra mim não fazia sentido que ele me violentasse. Custei muito a entender o que havia acontecido (a leitura do blog da Lola, veja só, me ajudou a reconhecer que fui estuprada) e, embora estivesse sofrendo e com nojo daquilo tudo, não contei a ninguém e nem mesmo me afastei completamente do cara. Só fui fazer isso anos depois.

    Tenho certeza absoluta de que ele também não viu o que fez como algo errado na época e fico triste porque acredito que até hoje ele não o veja dessa maneira. Hoje eu não desejo nada de mau pra ele mas gostaria, sinceramente, que ele se mancasse que me estuprou. Talvez tenha feito ou faça até hoje o mesmo com outras mulheres. Me reconfortaria que ele me dissesse de alguma forma que percebe hoje que o que fez foi errado, que foi um crime. Eu esperei muito tempo (e acho que ainda espero) ouvir essas palavras dele, mesmo que hoje eu já tenha conseguido me afastar por completo. Eu, pessoalmente, me sentiria melhor ouvindo ou lendo essas palavras, fosse da boca dele, fosse por meio de um blog feminista.

    De todo modo, acho que você tem, sim, o direito de se ofender, mas entendi o post como um convite à reflexão, e não como uma tentativa de agressão (aliás, pelos comentários que li, muitas outras mulheres que já foram estupradas também se sentiram contempladas pelo post, como eu).

  18. seu texto é genial. o cara já diz de antemão que o texto é endereçado a suas vítimas, que são leitoras do blog. tipo um “olha, tô arrependido, mas não quero me entregar à polícia, também não sei se quero conversar pessoalmente com as vítimas, mas deixa eu usar seu blog pra me endereçar a eles”. isso é muito grave. muitas vítimas de estupro aprendem a se defender das memórias traumáticas evitando ao máximo o assunto, qualquer lembrança, O QUE DIZER então de ter que lidar com a voz (voz aqui no sentido de discurso) do PRÓPRIO abusador. foi uma postagem eticamente irresponsável da lola, independente do leitor ser contra ou a favor de pena de morte, acreditar ou não na reabilitação de estupradores, etc (assuntos que ela misturou com uma salada). se o cara esta arrependido, tentando se reconciliar com seu passado ou whatever, ou obter o perdão das vítimas, havia 95 milhões de formas de tentar fazer isso. ele que criasse seu próprio blog! mas a lola quis ser a santa protetora dos estupradores arrependidos. completamente fora da realidade, me senti enojada.

  19. Sou homem e feminista, sei que algumas feministas acham que eu não tenho direito em me meter em assunto feministas, em fim.
    Eu li esse post no blog da outra menina, não achei que ela tenha tentado justificar o erro dele com desculpa, acho que ela quis postar o blog e mostrar o “outro lado da historia”, claro que concordo que isso que ele fez não tem desculpa.

    • Vc quer dizer que sabe o que é menstalking?
      Bom, então porque está fazendo isso se é um homem feminista?
      Se elas acham que vc não tem direito de se meter, e vc sabe disso e se mete mesmo assim, vc não se tocou que é um desrespeito?

  20. Eu gosto daquele filme “garota com a tatuagem de dragão”. Nunca sofri violência além das micro agressões que todas as mulheres sofrem diariamente na rua. E só isso já me deixa revoltada. Eu fico irritada com supostas feministas falando “perdoai-vos, eles são sabem o que fazem”. Sabem sim, por isso que fica um bando de safado sentindo culpa depois de destruir a vida da filha. O fato é que nossa sociedade é patriarcal e existe uma cultura de estupro que legitima esse tipo de comportamento abusivo. Talvez pessoalmente para a psicologia de uma vítima faça bem conversar com o sujeito, mas isso não muda a cultura de estupro, porque a tragédia já aconteceu, e continua acontecendo em outros lugares. Espaços feministas deveriam ser lugares seguros para que as mulheres expressem suas opiniões sem ter que lidar com o discurso dos opressores.

  21. Eu salvei a url desse post aqui tem uns dias pra ler mas só fui ler agora.
    Quando vi as polêmicas, fui ler o tal post. E passei mal.
    O que ninguém entende, aparentemente, ao defender a Lola/o post, é o seguinte:
    1 – Dar voz ao estuprador, arrependido ou não, em si, já é um problema. Não posso ligar menos pro que ele pensa ou sente. Ele tá arrependido? Bom pra ele. Que vá procurar a polícia, um psicólogo, o raio que o parta. Mas entrar em um espaço supostamente seguro para as vítimas?
    Isso me faz desconfiar demais da criatura. Quer realmente se redimir? Vá falar diretamente com as vítimas e reconheça que elas não lhe devem perdão. Por que raios entrar em um espaço das vítimas e gritar pra todo mundo o que fez e o quanto se arrepende – não dando as vítimas o direito de pensar ou não no assunto (como alguém disse aí em cima, muitas vítimas lidam com o trauma bloqueando as memórias). Pra mim isso é querer que as pessoas fiquem com peninha e lhe deem um biscoitinho por assumir que fez merda. É como aqueles caras que abusam da companheira e vão ao trabalho dela com um buquê de flores perdir perdão. É claramente encurralar a pessoa pra que ela lhe perdoe pra não se sentir a vilã da história. Se o cara cometeu um crime, ele não tem o direito de escolher como e quando vai ser punido. Se ele cometeu um crime, as vítimas tem TODO o direito não só de não perdoar, como não querer nunca mais ouvir falar na desgraça.
    2 – Eu tenho o direito de sentir raiva. Deixa eu dizer de novo: eu tenho o direito de sentir raiva. Toda vítima tem esse direito. O post da Lola fez parecer que só tem dois espectros: as vítimas que perdoam e as vítimas que querem que seus estupradores sejam estuprados, castrados e mortos. E não, ela não disse isso com todas as letras. Existe uma coisa, que muita gente parece esquecer, chamada Análise do Discurso. E a Lola sabe bem disso.
    A coisa é que, eu acho no mínimo sacana e duvidoso quando uma blogueira super acessada publica um texto de um estuprador arrependido e falando sobre direitos humanos. Como se, porque ele está arrependido, nós tivessemos que ouvir essa baboseira.
    E ainda me fala em “punitivismo excessivo”. Sério?
    Não, eu não espero que as pessoas que abusaram de mim sejam estupradas e castradas. Eu não espero nem que sejam presas (eu sei que não serão). Mas acho um abuso alguém querer tirar de mim o direito de sentir raiva, de não perdoar. E principalmente, o de não pensar nisso.
    Eu não posso nem começar a imaginar o que pode ter sido pras vítimas desse cara ler aquilo. Mas eu sei que a minha reação imediata foi pensar nos pedidos de desculpa dos que fizeram o mesmo comigo. E pior – no quanto amigos meus disseram que “não foi culpa dele” ou “ele não entendeu a sua recusa, foi um mal entendido” e tantas outras coisas que nem consigo começar a escrever sem chorar. E eu fiquei me perguntando o que eu faria se fosse o cara que fez isso comigo ali, invadindo meu espaço e dizendo que sentia muito. E se a blogueira que foi uma das minhas introduções no feminismo estivesse dando esse espaço pra ele – esse espaço pra onde eu muitas vezes corri pra me sentir melhor quanto ao que aconteceu.
    3 – Por último, a Lola, graças a deus, não é vítima de nenhum abuso sexual maior, além das microagressões de sempre. E apesar de ter vítimas que não se ofenderam, a grande maioria se ofendeu. A Lola não é parte desse grupo, e ela devia saber que quando alguém de dentro do grupo diz que é ofensivo, vc se desculpa e tenta se educar. Ela não fez isso. Ela fez depois um post enorme sobre como ela tem leitores malucos que não entendem oq ela diz. Foi aí que parei de ler o blog: não confio em quem usa “me desculpe se você se ofendeu” ou “me desculpe se você não entendeu” como defesa.
    Enfim, obrigada naomy, por escrever tudo isso pq não tenho mais saúde mental (literalmente) pra falar sobre o assunto.

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