Garçom, coloca a conta no meio da mesa, por favor?

Você, moço, sai com um amigo pra tomar uma cerveja. Na hora de pagar a comanda, cada um paga a sua. Na hora de pagar a comanda, somam e dividem por dois. Na hora de pagar a comanda, você paga a dele (cada dia um faz ”uma pra deus ver” e tal) ou vice-versa. Não parece muito complicado de entender que saíram duas pessoas, consumiram duas pessoas e que ambas decidiram juntas o que fazer com a conta. Então por que nós mulheres ainda sofremos alguma resistência em boa parte das vezes onde tentamos pagar/dividir a conta? RADAR DO MACHISMO APITANDO.

Claro que cada situação é uma situação diferente, mas em geral, no primeiro encontro é aquele climão: a gente até pode pedir a conta, mas o garçom entrega pro cara. Ou se é fila, o cara pega a comanda da tua mão e junta com a dele, sem perguntar nada. ”MAS E O CAVALHEIRISMO, O FEMINISMO QUER TIRAR ISSO DO HOMEM.” Sim, porque cavalheirismo é diferente de gentileza. Você pode pagar a conta completa se você quer ser gentil com a moça sem visar algo em troca. O cavalheirismo pressupõe que a mulher precisa ser bancada e cuidada porque a considera frágil (RADAR APITANDO DE NOVO). Gentil a gente pode ser todo dia, com todo mundo. Cavalheirismo é só com a mulher e só por tomá-la como a parte mais fraca. Eu posso abrir a porta do carro com a minha própria mão e posso pagar o que eu consumi no restaurante. Se você fizer uma ou mais dessas coisas pra mim, desde que seja por gentileza, não vai me ofender. Mas se fizer por se sentir na obrigação, por que sou mulher, daí a gente vai ter três minutos de conversa séria.

”E qual a diferença?” A diferença é que eu não sou frágil só por ser mulher. A diferença é que são SÓ pessoas saindo, tendo um momento juntas. Assim como sair com amigos, não quer dizer que um tenha a obrigação de pagar a conta do outro. Não existe um ”quem paga a conta” pré-determinado (não deveria existir, né? Beijo, Revista Veja) simplesmente por não fazer o menor sentido. Tudo deve ser adequado ao momento: se eu estiver sem grana, você paga. Se você estiver sem grana, eu pago. Se ambos estiverem com grana, a gente divide ou um dos dois faz uma gentileza. Viu? Não dói. Isso vale pra restaurante, pra motel, pra balada, pra TUDO. Não se sinta acanhado por uma mulher pagar alguma coisa. Se sinta envergonhado por achar que ela não deve pagar nenhuma.

E o radar, parou de apitar por aí?

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