Feminismo Didático

Nem todo mundo é feminista. É importante que lembremos: há quem não seja feminista porque é declaradamente machista, misógino e reacionário. Há quem não seja feminista porque simplesmente não sabe que é machista, não sabe o que é feminismo ou pra quê ele serve. Nós, feministas, recebemos abordagens vindas dos dois tipos descritos, e muitas vezes não percebemos que não precisamos tratar ambos da mesma forma.

Veja bem, recebo diariamente perguntas e afirmações no meu perfil do Ask.fm. Algumas bem agressivas, que respondo com argumentos e nenhuma piedade, outras, bastante inocentes, de pessoas que realmente querem entender o feminismo e não sabem por onde começar. Essas eu respondo com o pouco que sei, da forma mais didática possível. Por quê? Porque acredito que quanto mais didática é a explicação, menos preconceito sobre a causa é acumulado. Não precisamos sair por aí convertendo pessoas como se um arrebatamento feminista estivesse chegando, mas nós também aprendemos o básico do feminismo com outras pessoas (seja por meio de livros, textos, internet, amigas, etc). Passar adiante um conhecimento (com cautela e paciência)  é sempre lucrativo, não só para quem recebe.

Muitas vezes vejo feministas com muita visibilidade tratando pessoas com dúvidas sinceras ou afirmações machistas naturalizadas da mesma forma como trata trolls e pessoas mal intencionadas. E eu pergunto: isso acrescenta de alguma forma, ou mistura todas as pessoas que não são feministas no mesmo balaio? Não seria muito mais interessante saber separar a hora de ser incisiva e a hora de dividir informação de forma gentil? Não estou defendendo o ‘feminismo limpinho’. Longe de mim defender feminismo comportado, feminismo do jeito que os machistas querem, mas muitas vezes pessoas que têm vontade de conhecer mais sobre a causa acabam criando bloqueios contra o feminismo por conta de uma resposta mal elaborada, repetida.

É uma reflexão que proponho: vale a pena perder interessados na causa?

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Um comentário sobre “Feminismo Didático

  1. Espero que as pessoas considerem esta reflexão, mesmo que venham a refutá-la depois. Eu sou muito menos machista do que já fui graças às pessoas que tiveram paciência de esperar que eu digerisse seus argumentos. Quando um assunto é muito complexo e vai de oposto ao que crescemos ouvindo, é difícil entender de primeira. A persistência de quem lidou comigo leva todo o mérito por hoje eu entender melhor o que é o feminismo e qual é sua luta – mesmo tendo muito a aprender.

    Das que tratam o assunto aos pontapés, não compartilho nada em meus perfis de redes sociais. Não porque estejam erradas, mas porque acabam tendo efeito reverso no meu círculo pessoal. O que acontece é que vejo meus amigos fortalecendo argumentos machistas por causa de opiniões que apesar do conteúdo certo, tem uma forma muito agressiva e os afastam da conversa. Note que em nenhum momento acho que o feminismo deve ser “comportado”, concordo com a Myka. Mas é que, entre os meus amigos pelo menos, a conversa aberta, didática, a passos lerdos, tem se mostrado um método melhor. Este texto é um dos que passarei a frente!

    Sucesso, continue blogando e me fazendo refletir! Abraços!

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