Medida Certa e a liberdade

Ontem, domingo, o Fantástico exibiu a nova temporada de seu quadro Medida Certa (o nome já é bastante preocupante), onde famosos são convidados (e pagos) para perderem peso. No elenco, as cantoras Gaby Amarantos, Preta Gil e o ator Fábio Porchat farão exercícios, dietas, tudo acompanhado pela câmera do programa.

Gaby e Preta são conhecidas por sua música e mensagem positiva sobre aceitação do próprio corpo. São símbolos de que o padrão de beleza imposto pode ser derrubado (e sim, elas são lindas). Entretanto, as redes sociais entraram em colapso: duas mulheres, fora do padrão de beleza e símbolos da aceitação do corpo, participando de um projeto de emagrecimento? Como pode? Pode. A liberdade de ser quem se é também se estende ao querer emagrecer. Poderia ser pelo dinheiro? Sim. Poderia ser pela saúde? (mesmo sabendo que saúde é bem relativa e que nem todo gordo vai mal de saúde, assim como nem todo magro vai bem). Sim. Poderia ser porque querem emagrecer? Sim. Partindo do princípio de que cada um faz com o corpo o que preferir, não temos o direito de julgar alguém que escolhe emagrecer.

Óbvio, combatemos diariamente o padrão de beleza e sabemos o mal que ele faz. Sabemos que milhares de mulheres sofrem por conta dele e que a aceitação do próprio corpo é importante. Porém, a liberdade é uma característica forte no feminismo em que eu acredito, e defender o direito ao corpo é defender a liberdade. Li alguns comentários e textos de pessoas dizendo que a mensagem que Preta e Gaby deixaram com isso é negativa. Que muitas mulheres se inspiravam na aceitação delas e que agora soa como hipocrisia. Não. Hipocrisia é defender a liberdade da mulher e julgá-la quando decide mudar. Hipocrisia é defender o direito ao corpo e apontar o dedo quando uma mulher toma uma decisão assim. Mesmo que a escolha delas fosse unicamente para o padrão de beleza: são anos de pressão social. São décadas de mensagens e influência do padrão. Como julgar alguém que tenta se encaixar? Como julgar quem se sente intimidada pelo padrão de beleza?

Gaby e Preta tomaram uma decisão e eu, enquanto feminista, me sinto na obrigação de defendê-las. De mostrar pra quem puder ver o quanto somos livres e o quanto podemos decidir sobre nossos corpos. São mulheres com escolhas, como todas nós. Defender a liberdade de todas as mulheres é também respeitar suas vontades.

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